Oiê! Tudo bem com você?

Há algumas semanas estava no estúdio e recebi o convite para participar de uma entrevista sobre maneiras de evitar desperdício. Primeiro achei muito legal a iniciativa de falar sobre isso em tv aberta, regional, mas tá valendo. Segundo fiquei mais feliz ainda porque as escolhas que fiz há um tempo estão sendo notadas pelas pessoas ao meu redor, então, talvez esteja fazendo alguma diferença. Até a data desse episódio a reportagem não saiu e pra falar a verdade acho que não respondi todas as perguntas como deveria, fui pega de surpresa, então vou estender esse assunto por aqui.

O começo

Tudo isso começou em meados de 2015 quando comecei a pesquisar sobre veganismo. Uma coisa foi levando a outra descobri um outro mundo, ou melhor, uma outra sociedade de pessoas que vivem de forma mais harmônica com o espaço em que habitamos. Essas pessoas decidiram que não iam mais seguir o padrão que era imposto de consumir coisas sem nem parar para pensar de onde aquilo vinha e pra onde iria quando terminasse de ser usado. E de quebra, elas ainda economizam dinheiro. Como boa aquariana, achei aquilo incrível, porém muito fora da minha realidade. Mas insisti. Comecei com pequenos atos e sigo nesse rumo.

Mas por que devo entrar nessa onda?

Então…. a quanto tempo você ouve sobre reciclar lixo? Acho que esse conceito começou porque pessoas sábias perceberam que nosso planeta não vai dar conta do nosso estilo de vida pra sempre. Vai chegar uma hora que vai ter mais lixo que humanos, levando em conta que um único humano produz toneladas e toneladas de lixo durante a vida. Acontece que só reciclar não é a saída, e pra falar a verdade nem parece ser muito da nossa conta não é?

Afinal quem faz isso são empresas especializadas, é a prefeitura com políticas de coleta, é aquele catador com carrinhos enormes cheios de papelão… eu não. Eu só preciso comprar minhas coisinhas e jogar no lixo, ou na rua pra alguém limpar. Conhecemos pessoas que pensam assim? Sim! Vemos pessoas agindo assim? Lógico! Mas, será essa a melhor forma de se pensar ou a mais fácil?

O que me parece melhor é tentar mudar esse mindset agora, antes que as futuras gerações (que inclui eu mesma e você, na velhice) não estejam com lixo até o pescoço xingando a nossa geração que não fez nada ou fez muito pouco pra ajudar.

Então vamos mudar esse mindset?

A primeira coisa a se fazer é alimentar a curiosidade.

Pense que: Se existem pessoas que vivem no nosso mesmo planeta e conseguem reduzir o lixo que produzem, bem… nós também podemos! Pesquisando o que elas fazem. E assim começa o caminho sem volta. Porque em uma busca de 2 min no google você encontra inúmeras alternativas para cada desculpa de não começar hoje a reduzir a produção de lixo. Recomendo você começar pelos blogs Um ano sem lixo da Cristal Muniz e o Menos um lixo da Fe Cortez. Ambos os sites tem conteúdos em vídeo, o que já ajudam muito.

A segunda é aprender alguns truques. 

1. Aprender a dizer “Não, obrigado :)” 

Se você não tem um monte de tranqueiras  – como: uma bolsa de sacolas que só cresce; panfletos inúteis; brindes até engraçadinhos, mas inúteis; papéis com amostras de perfumes que você detestou, mas ficou com vergonha da moça que ofereceu em frente a loja – então são menos coisas que vão para o seu lixo, certo? Eu sei que é constrangedor, como designer procuro orientar o máximo meus clientes a pararem com essa prática de panfleto na rua, mas dizer com um sorriso no rosto “Não, obrigado” não vai ferir ninguém, você pode até ser o sorriso que aquela pessoa precisava depois de passar horas ali em pé.

Quanto a brindes, parece ser legal ganhar coisas de graça e quando servem para alguma coisa de verdade e não vão pro lixo com 24h ou menos de 2 meses de uso.  

E aquele prazer de comprar?

Outro capítulo a parte são as compras desnecessárias

Aquelas que vem por impulso. Isso acabou se transformando em uma novela, pelo fato de que comprar coisas se tornou um tipo de prazer. Somos estimulados a comprar e consumir o tempo todo, mesmo não precisando de tantas coisas. A receita aqui é uma pitada de paciência, duas de amor ao seu dinheiro e outra de persistência. Depois se perguntar: “Preciso mesmo disso, ou é só para satisfazer meu ego?”

Em um vídeo do canal a Cristal falou uma frase que resume tudo isso: null


“A gente precisa aprender a ter só aquilo que a gente usa. E usar tudo aquilo que a gente tem.”

link do vídeo


E, gente, isso é muito libertador. Costumo fazer uma limpeza geral todo ano, e esse ano fiquei ainda mais feliz porque sinto que estou aprimorando meus ambientes e meu guarda-roupa. Quando vi que uso e amo tudo ao meu redor, porque me ajuda todo dia de alguma forma, me senti muito mais leve, do que com coisas pesadas que só serviam pra juntar poeira. 

As sacolas são uma dilema, porque você deve ter pensado: Mas elas são minha garantia de forrar a lixeira Anna! Pois é, até concordo, mas nos leva ao segundo truque.

2. Reduzir

Não vai ser do dia pra noite que vamos nos acostumar com a ausência das sacolas plásticas, mas podemos usá-las com moderação. Exemplo: Quando vou a um estabelecimento comprar pouca coisa, como uma caixinha de remédio, pra que uma bolsa pequena de plástico se eu posso levar na mão, ou na minha própria bolsa? Se vou fazer compras maiores, porque não andar com uma ecobag dobradinha na bolsa e por tudo nela?

Pra mim foi um tanto difícil no começo, porque sou uma pessoa que não costuma bater de frente, vou no automático: quase nunca pedia desconto, mal confiro o troco e quando botam minha mercadoria na sacola enquanto estou distraída não costumava falar nada, era do tipo bem pacata. Mas não tinha nenhum orgulho disso. Quando comecei a mudar minha atitute algo mágico aconteceu. Ninguém reclamou, eu simplesmente sorria e falava: “Não precisa de bolsa, obrigado” e não é que as pessoas começaram a parar de perguntar?! E tudo ficou bem. A coisa do troco e do desconto ainda estou trabalhando. 

Uma história

Esse mês fiquei muito feliz porque aproveitei uns tecidos que estavam parados no estúdio e resolvi aprender a fazer sacolinhas. Pedi ajuda a umas amigas e costurei sozinha em uma máquina pela primeira vez. Saiu torto? Saiu, mas eu que fiz .

Lavei bem bonitinha e deixei tudo pronto para fazer feira na loja de produtos naturais. Minha mãe, que estava muito relutante em falar para a vendedora que ia colocar nessas sacolinhas, aproveitou meu aniversário e foi fazer as compras sozinha, quando ela voltou me contou que todo mundo na loja super elogiou a ideia. Ou seja, no final das contas as pessoas até gostão de novidades.  

Ok, mas e as minhas lixeiras?

Mas voltando a falar sobre lixeiras. Existem soluções para eliminá-las de vez e posso enumerar algumas pra vocês.

  • lixo seco = sacolas de papel: Experimentei comprar papel de embalagem, que vende o quilo, e fazer sacolinhas para por na lixeira e deu super certo. Veja em seguida um vídeo monstrando o passo a passo pra fazer.
  • lixo do banheiro = sacola de papel ou ducha de banheiro: Esse é um dos meus dilemas, experimentei a sacolinha também, e até deu certo, vou continuar com ela por enquanto. Porém a Cristal Muniz sugere duchas mesmo, dessas que tinha em casas antigas. Inclusive um médico falou pra minha mãe que é até mais higiênico. Mesmo assim acho que ainda vou manter um lixerinho para por cabelo e pó da vassoura.
  • lixo da cozinha = composteira: Esse ainda é meu sonho de princesa, ainda não tenho uma doméstica e a cozinha é o único lugar que ainda ganha sacolas de plástico. Mas pretendo comprar a da Morada na Floresta muito em breve. Você pode fazer com baldes reutilizados também, tem muitos tutoriais ensinando no youtube. 
Créditos: Westwing.de

3. Reutilizar

Ou seja, evitar produtos descartáveis. Esse estágio mexe diretamente com a preguiça que a praticidade dos descartáveis programou nos nossos cérebros. Esse ano comecei a tomar atitudes mais concretas com relação a isso. Fiz meu kit com:

  • Canudinho de vidro;
  • Xícara e copo que deixo na minha mesa do escritório,
  • Talheres de casa, toalhinhas e potinhos para marmita;
  • Escova de bamboo;
  • Desodorante que eu mesmo faço: Receita aqui;
  • Sabonete, que eu mesmo faço, milagroso e maravilhoso que serve pra quase tudo. Receita aqui;
  • E 2 ecobags para andar na bolsa.

Ainda falta:

  • meu copinho pra levar na bolsa;
  • Estojo de depilação de metal;
  • E guardanapos de tecido, mas esse a toalhinha está suprindo.

Também uso um coletor menstrual e absorventes de tecido da Morada na floresta, mas isso é um capítulo para o próximo post.

Associo também essa parte com compras de produtos que  tem vidas úteis longas e que posso usar para mais coisas. Como as embalagens de vidro, roupas com tecidos mais resistentes que quando estragar possa virar paninho para limpar móveis, ou capa de almofada, ou até sacola, tutoriais não faltam. Assim essas compras valem de verdade o investimento que fiz.

Só assim podemos falar de:

4. Reciclar

“Há tanto plástico no oceano que nós teremos mais plástico que peixes em 2050”

Uma etapa com alguns dilemas. Nosso papel é separar lixo, certo? Mas na minha cidade mesmo não tem uma coleta eficaz, o que tento é fazer amizade com algum catador para sempre passar na minha casa, mas nem sempre isso funciona. O maior problema é que, mesmo em cidades com coleta, o processo de reciclagem é mais complicado do que pensamos Isso porque demanda muita mão de obra, químicos pesados e tempo.

No caso do plástico, reciclagem só retarda a chegada dele nos aterros sanitários, porque a medida que ele é processado vai rebaixando de valor e chega uma hora que ele não tem como ser mais reciclado nem tem mais valor comercial. Ou seja, ainda temos muito o que melhorar nisso. mesmo com essa complicação toda termos de educar as pessoas a continuar separando o lixo, ficar de olho nas iniciativas públicas para que seja feita a parte que cabe ao governo e tentar, quem sabe, encontrar mais soluções. Afinal, temos pessoas inteligentíssimas entre nós. 

Desafios pessoais

Reconheço que tudo isso que falei meche muito com nossas rotinas e que é preciso muita força de vontade para ter uma vida com menos desperdícios. Mas é possível! Sinto que estamos vivendo uma época de mudanças e estou muito empolgada por poder fazer parte disso. Essas decisões de mudar a forma com que consumo só me deixa feliz, a cada passo é uma vitória!

Shampoos sólidos da Fefa Pimenta

Ainda tenho muito o que aprender. Meu desafio atual, além do lixo da cozinha é com cabelo. Consegui reduzir boa parte das embalagens de cosméticos que uso comprando produtos feitos por produtores locais e com embalagens de vidro reutilizáveis e usando mesmo coisas mesmo. Porém os produtos para cabelo, mesmo os com refil, ainda são entregues em embalagens de plástico.

Existem shampoos e condicionadores em barra que quero muito comprar, mas admito que por ser produtos feitos por artesãos distantes da minha cidade, o frete se torna um problema, fica muito caro para minhas condições financeiras. Mas, com continuar procurando alternativas, se você conhecer alguma, por favor coloca aqui nos comentários, OK?

Então, no final das contas nossa papel pode ser muito maior do que só jogar lixo na lixeira, não é? Acabei me empolgando nesse assunto então vou deixar uma capsula especial para semana que vem. No próximo artigo vamos falar de Menstruação e absorventes. 

Um ótimo dia pra você!

Xau xau

continual….

4 thoughts on “ Como levar uma vida normal produzindo menos lixo. Um guia para iniciantes. ”

  1. AMEI!!!
    ANINHA TU É DEMAIS!
    Estou me dispersando em relação a vida… E esse texto era tudo que eu precisava! Leve, conciso… 💕✨ Enfim… Já estou ansiosa para os próximos. és inspiração!

  2. Ótimo post, recebi por e-mail e fiquei curiosa pelo assunto.
    Fiquei bem empolgada em fazer ainda mais coisas. Já tenho um canudo e recuso sacolinhas, mas sempre podemos melhorar.
    Outra coisa que tento fazer, de forma sútil, é influenciar os que moram comigo, é difícil kkk mas já consegui evitar que minha mãe use canudinhos, por exemplo.

    1. Obrigado Bia! Que bom que estamos empolgadas juntas! Também estou nesse processo de transformar os hábitos aqui em casa! Ao pouquinhos as coisas vão mudando #VamosJuntas

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