Oi gente, eu sei que esse episódio tem um foco para mulheres, mas gostaria de deixar claro que todo homem é muito bem-vindo a se juntar nesse papo. Até porque convivemos não é mesmo? 

Estou amando essa oportunidade de falar sobre esse assunto inclusive, gostaria de abrir umas questões aqui sem necessariamente chegar a conclusões. É que ultimamente tenho refletido muito sobre nossa visão de mundo quando se fala de menstruação. 

Como foi minha primeira menstruação

Menstruei muito cedo gente, estava para fazer 10 anos. Era um fim de semana e eu passei a tarde brincando na rua com minhas amigas. Quando cheguei em casa que fui tomar banho pensei que tinha me sujado, mas minha mãe viu e me alertou que na verdade aquilo na minha calcinha era minha primeira menstruação. E aí começa minha reflexão. 

Naquela época eu era do tipo que desejava mesmo crescer, mal podia esperar para ser adulta e estava feliz por chegar nessa etapa. Mas, todas as minhas amigas morriam de medo de menstruação, elas não queriam menstruar, aquilo era coisa de adulto, e era um sofrimento. Parecia que nossa infância terminaria ali, assim como nossa liberdade. Dentro desse contexto, eu optei por ficar triste. Estávamos só eu e minha mãe, mas eu fiz toda um encenação de “Poxa vida! Menstruei.” afim de convencer a mim mesma de que aquilo era algo horrível. 

Lidando com… ela…

Os anos se passaram e aprendi a lidar com essa companheira de todos os meses. Meu fluxo era gigante, e como todas nós, passei por todos os constrangimentos de não está preparada e ela chegar no meio de uma aula, ter medo de levantar de ter sujado o lugar onde estava sentada,  sentir que a morte chegou a cada contração de cólicas até ir ao ginecologista e ele me receitar o milagre do anticoncepcional. 

Toda magia tem um preço
Rumpelstiltskin <3 | Once Upon a Time by ABC

Meu primeiro questionamento sobre anticoncepcionais e medicina tradicional é o fato de que é um milagre de alto custo. Eu sei que ajuda muitas mulheres, mas ninguém nos conta direito quais as consequências reais no nosso corpo. Eu tinha 14 anos quando o médico me convenceu a tomar aquelas pílulas. Até então não havia notado nenhuma alteração no meu corpo, mas 2 meses depois percebi um nódulo no meu seio esquerdo. Segundo o médico, aquilo não tinha nada haver com os anticoncepcionais, mas minha mãe, sábia como é, me proibiu de tomar aquilo. Nunca fui a fundo nessa investigação, tirei o nódulo, cortei o uso do medicamento e nunca mais apareceu nada parecido no meu corpo. Coincidência? Talvez.

Menstruação um atraso de vida?

Outra coisa que me intriga é quando começo a refletir sobre como somos pressionadas a não viver esse período. Lembro, hoje com vergonha, de ter interrompido meu ciclo em duas ocasiões, por motivos bobos. A primeira for porque queria viajar pra praia em uma carnaval e estava para menstruar, então, sem sequer pensar no que aquilo significava para meu corpo e saúde, comprei um anticoncepcional e cortei meu ciclo menstrual. A segunda foi por medo de engravidar, e uma certa pressão, tomei uma pílula do dia seguinte, também sem ter ideia do que estava ingerindo. 

Será que nós temos noção do que isso realmente significa? Por que menstruação soa como algo que nos torna vulneráveis, que atrasa nossa vida? E esses medicamentos são a salvação. Me vi buscando essa solução sem nunca me perguntar quais os danos que aquela bomba de hormônios causa na minha saúde. Parecia cega, só queria aquela solução rápida, que me trouxesse de volta a ativa, sem aquele atraso de vida que seria minha menstruação. Ou que aliviasse meu medo sem pensar nas conseqüências.

Os Absorventes

Finalmente chegamos no ponto onde parei no último episódio. Obrigado pela paciência. rsrs

Na minha primeira menstruação não havia absorventes em casa, então fique amuada na capa com um paninho improvisado por minha mãe. Contudo, nas próximas menstruações usei um comum e noturno, com aquela cheiro particular, abas que assam sua virilha, que por mais tecnologia que falem que tem na propaganda, vaza e esquenta pra caramba. Mas é a solução mais prática e acessível para se livrar desse “transtorno” que é a menstruação. Certo?  - Aqui abro mais um questionamento, é mesmo um transtorno? Ou em alguma fase na nossa sociedade fizeram a gente acreditar que era?

Um absorvente é feito com vários materiais incluindo plástico e componentes químicos pesados. Sabemos disso mas pouco falamos. Talvez nem queremos ouvir para não entrar em paranoia, mas eles também podem causar alergias e infecções graças aos componentes milagrosos que retém o sangue. Em uma busca descobri que eles levam cerca de 100 anos, alguns sites falam 300, para se decompor. Então fiz as contas:

consumi esses absorventes por cerca de 17 anos (1998 – 2015), usava cerca de 5 a 6 por dia todo mês, ou seja, coloquei no mundo aproximadamente 1.224 absorventes que provavelmente ainda estão em algum lugar e que podem permanecer aqui por mais uns 122.400 ou 367.200 anos. 🤭😱

Soluções

Porém não foram esses números que me fizeram parar. (Na verdade, fiz essa conta agora e ainda estou passada!) 2015 foi o ano que entrei no processo de vegetarianismo, mas já pesquisava sobre veganismo. Consequentemente cheguei nos coletores menstruais e absorvente de tecido. Separei uma grana e investi neles. Com toda empolgação do mundo comecei pelo coletor. O meu é um modelo assim: 

Coletor menstrual da InCiclo

Não existia muitos modelos disponíveis na época, atualmente você encontra diversos tipos. 

Pra te falar a verdade nunca consegui me adaptar 100% a ele, mas também sigo não desistindo. 

Prós:
  • Não sinto nada, sério mesmo, nadinha, quando coloco ele é como se não houvesse nada dentro de mim.
  • Menstruação seca, ou seja, é como se não estivesse menstruada, mal tenho contato com o sangue.
  • Serve de adubo. Se você fez uma carinha de nojo nessa revelação bombástica, não te julgo, parece uma loucura. Mas nosso sangue é rico e as plantinhas amam as substancias que ele carrega. Falaremos mais desse assunto em outra ocasião, tudo bem? Continua comigo.
Contras
  • Se você não tem experiencia com absorvente interno nem com a anatomia do seu canal vaginal vai sentir uma certa dificuldade de usar um coletor. O modo de inserir e retirar é relativamente simples, mas requer um pouco de prática e autoconhecimento. O que me leva a outra reflexão: ao longo da vida somos estimuladas a desenvolver esse autoconhecimento? Eu não sei vocês, mas eu fui programada a repelir minhas partes intimas. E essa programação incluir as palavras nojo e pecado.
  • O puxador do meu modelo me incomoda um pouco, não é nem fisicamente é mais a suposição de que ele esta empurrando as paredes do canal. Repito, eu não sinto, só penso mesmo. Por isso recomento modelos com puxadores mais arredondados. Como um coletor praticamente não se estraga, vou ficar com o meu por enquanto, mas pretendo investir em um desse modelo:
Outros modelos:
Coletor Korui você pode comprar clicando aqui ou aqui. Foto de Blive
FreeCup da Alergoshop, a venda na loja Morada da Floresta

Absorvente de tecido

Lavar absorvente? Ficou louca?! Estamos no século XXI! 

Aí essa é a melhor parte da minha coleção de questionamentos. A geração que usa absorventes é muito pequena comparada a história da humanidade, provavelmente sua mãe ou alguma parente próxima usou o paninho por muitos anos e agora isso parece inconcebível. A ideia de lavar um tecido com seu próprio sangue se transformou em algo nojento e absurdo. Parabéns as equipes de marketing que fizeram isso. 

Modess,os primeiros absorventes feminino. Década de 50.

Sim gente, comecei a me questionar como isso tudo começou e tomou uma proporção tão grande que é como se não houvesse outra escolha lógica. Rejeitar esse conceito e lavar o próprio sangue parece ideia de gente louca e que não tem o que fazer pra parar pra lavar pano. Parece que perdemos nosso contato com o ciclo natural da menstruação. Mas essa reflexão é longa demais para esse episódio. Vou tentar focar, OK? 

Respeitável público, eu vos apresento, o absorvente de tecido do século XXI: 

Anatômico, confortável, sem cheiro, que dura pelo menos 10 anos e que se decompões de 1 a 5 meses porque a matéria prima é o algodão. 

Esse é meu companheiro do primeiro dia de menstruação e dos dias que estou com preguiça de por o coletor.

  • Ele é super confortável, sério, tem um toque muito, mas muito fofo. 
  • Não aparece por baixo da roupa, mesmo parecendo grosso, me sinto super segura com ele. Vou trabalhar de boas. 
  • Não vaza! Sim, você leu certo: não vaza. Eu passo muito tempo com o meu e tenho um fluxo super intenso no primeiro dia. 

O mais interessante disso é que meu fluxo parece ter diminuído. Acredito que o ciclo amadurece junto com a gente, mas coincidência ou não, meu ciclo parece outro desde que larguei os absorventes comuns. É menos (antes ficava um semana hoje em 4 dias acaba), não sinto mal cheiro nem incomodo. Também mudei minha alimentação e forma de pensar em relação ao ciclo menstrual, isso deve ter influenciado muito.

Quero testar
  • Outros modelos de coletores;
  • Calcinha absorvente: estou ansiosa para experimentar. Já está na minha lista para esse ano. Saiba mais sobre elas clicando aqui.
Ilustração da Pantys

Nossa! Tem tanta coisa que gostaria de conversar com vocês sobre esse assunto. Perguntei lá no instagram o que as meninas achavam do seu ciclo e as respostas só confirmaram o meu sentimento: Desenvolvemos aversão a algo saudável que acontece no nosso corpo.

Alguma de nós sofrem um purgatório nessa época e lendo sobre isso da perspectiva do sagrado feminino tudo isso tem uma razão e poucas temos acesso a essas informações. Parece que nos foi tirado o direito de conhecer a nós mesmas. Você já ouviu falar sobre o Sagrado feminino? Eu tive acesso a isso a pouquíssimo tempo e estou fascinada. O que você acham de ser o assunto para nosso próximo episódio? Como conhecer nossos ciclo melhor, lidar com TPM e cólicas sem se entupir de comprimidos.

Espero vocês semana que vem. 

Tenham uma ótima semana

Xero
Anna

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